terça-feira, 8 de abril de 2014

O Rosto no Sudário de Verônica

MEDITAÇÃO:
. O VÉU DE VERÔNICA,
segundo Dom Eduardo Benes de Sales Rodrigues.

Um livro apócrifo do século VI, com o título de “Atos de Pilatos”, fala de uma santa mulher, chamada Verônica, que enxugou a face ferida de Cristo, ficando o rosto de Cristo impresso no pano. Há indícios de que já no ano 300 o Véu era conhecido. No ano 1300, o Véu, conhecido como de Verônica, foi exibido publicamente e se tornou objeto de veneração para peregrinos. De acordo com várias descrições tratava-se de um tecido fino com uma imagem estampada em ambos os lados de uma pessoa ainda viva com os olhos bem abertos, com a face machucada, manchada de sangue.
                Dante Alighieri (+1321) menciona o Véu na Divina Comédia. O Véu de Verônica era considerado nos tempos medievais como a imagem verdadeira de Jesus, mais venerada ainda que o Sudário de Turim. Nesta época surge o piedoso exercício da Via-Sacra, fruto das Cruzadas. Os fiéis que percorriam os lugares sagrados da Paixão de Cristo na Terra Santa, quiseram reproduzir no Ocidente a peregrinação feita ao longo da Via Dolorosa de Jerusalém. Donde a Sexta Estação da Via-Sacra: “Verônica enxuga o rosto de Jesus”.
                O episódio não é narrado por nenhum dos Evangelistas e entre as mulheres que seguiam Jesus não consta nenhuma com o nome de Verônica. É provável que o nome Verônica derive de duas palavras latinas: vera icona (verdadeira imagem). A tradição cristã passou a ver na imagem impressa no Véu, o rosto doloroso de Cristo, enquanto caminhava para o Calvário. Um rosto “não feito por mãos humanas” (do grego: Archeiropoietos), mas impresso pelo próprio Cristo. O Véu de Verônica que era exposto para veneração dos fieis, entre os séculos XII e XVII, desapareceu do Vaticano, por ocasião da demolição da referida Basílica medieval para dar lugar à atual, renascentista, durante o pontificado do Papa Paulo V (1605-1621).

                Tudo indica que o Véu foi roubado e vendido ilegalmente, tendo sido adquirido por um cidadão de Manoppelo, onde se encontra na Igreja de São Miguel Arcanjo, edificada em 1630 e reconstruída em 1690. O rosto impresso no Véu tem muitas semelhanças com o rosto do Santo Sudário. Os olhos abertos e serenos da imagem fundamentam a crença de que uma mulher, Verônica, no caminho do Calvário, movida de compaixão se aproximou de Cristo para enxugar-lhe o rosto chagado.

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