sexta-feira, 13 de abril de 2012

Nossas Razões Cristãs... Aborto e Cia!

A discussão em questão é complexa e divergente em opiniões, manifesto aqui minha reflexão pessoal como padre católico sobre o tema em discussão, com profundo respeito àqueles que pensam o contrário e divergem desta opinião no todo ou em parte dela.

Primeiro:
- nenhum de nós católicos, ou mesmo cristãos, questionamos a autonomia e a liberdade de escolha de cada ser humana na sua tomada de decisão sobre sua própria vida - isto posto: sim, a mulher, como o homem, são livres para decidir sobre como conduzir sua própria vida! Mas o que está em jogo no caso do ABORTO não é a própria vida, mas a de outrem!

Segundo:
- um dos aspectos mais importantes de uma relação harmoniosa entre um homem e de uma mulher é a geração de um filho ou de uma filha: esta geração (relação sexual, fecundação e desenvolvimento) necessitam de um acompanhamento devido e coerente - médico, religioso, social, familiar. Um filho é um DOM, uma dádiva... Para os que crêem, dom de Deus. Para os menos crédulos, uma dom da natureza. Em tudo e todos: um verdadeiro milagre, que deveria sempre provir do amor de duas pessoas entre si.

Terceiro:
- quando a geração não acontece de modo adequado, faz-se oportuno considerar as razões para tanto - devemos perguntar então: por que esta criança foi gerada com anencefalia e não simplesmente entitular a criança com sua deficiência, sem consideração de um processo do qual ela não é culpada, mas sim VÍTIMA. Exatamente: toda criança, durante seu processo de geração, é vítima de inumeros condicionamentos: a saúde dos pais, o consumo alimentar e medicamentoso dos mesmos, a ingestão de drogas e outras químicas... tudo isto interfere positiva ou negativamente na geração de uma criança.

LOGO:
1. Escolher a interrupção da gravidez como primeira alternativa em qualquer circunstância, mesmo de má formação fetal, corresponde à transformação da criança-já-vítima em "bode expiatório" das excentricidades dos genitores que muitas vezes não deram conta deste processo com maturidade e integridade humana.

2. E ainda: instituir esta interrupção como legal é criar um pretexto para a incapacidade humana de lidar com a frustração das suas expectativas. Um filho não é um produto com qualidade total! Ninguém pode deliberar os condicionamentos da natureza, sem danificar moralmente a integridade do seu próprio caráter!

Sim: é verdade!
Hoje, existem tentativas de monitorar todos os aspectos da fecundação, da gestação e do desenvolvimento de uma criança, mas precisamos reconhecer que estamos abdicando o aspecto de "milagre" e de "dom", e transformando nossos filhos em produtos e subprodutos comercializáveis.
Quando uma lei, torna possível, e menos criminoso tal processo, ela convalida este sentimento de coisificação próprio do mundo moderno.
Como poderam os pais dizer que amam um filho feito como um produto de supermercado: se amar significa, acima de tudo, entrega para acolhimento do próximo com suas perfeições e imperfeições.

Uma saída que o Brasil, sob a égide de uma falsa "laicidade" encontrou foi não nadar contra a corrente da modernidade. A Igreja Católica continua nadando contra a corrente da modernidade para dizer que o ser humano é mais importante que as LEIS SOCIAIS que o regem, quando elas desautorizam o direito à VIDA e ao respeito humano.

Penso que estamos diante de um impasse:
- quem é que o Estado representa hoje: eu, a maioria, ou seus próprios interesses!
- outro ponto: o Brasil não é laico, nunca foi e se Deus quiser nunca será - e não estou falando apenas de católicos - estou falando de cristãos e cristãs de denominações diversas todos sob o seguimento de Jesus Cristo.
- e nossos juristas?
- e nossas leis?
- Precisamos refletir sobre isto!

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