sábado, 8 de outubro de 2011

Laico, mas não ateu!

O artigo pode lido em pdf: LAICO, mas não ateu!

UM PAÍS LAICO, não significa uma nação atéia,
- mas um povo ético na diversidade de manifestações religiosas.

Uma última pesquisa promovida no Brasil pela Fundação Getúlio Vargas, publicada recentemente, tem provocado grande comoção da mídia sensacionalista brasileira. A pesquisa pode ser acessada pelo endereço eletrônico: http://www.fgv.br/cps/religiao/, e retrata o novo mapa das religiões no Brasil. E gerou não menos que dois artigos de capa da Revista Isto É nos últimos meses, questionadores da diminuição do número de católicos em nossas Igrejas. A propósito disso, vale ressaltar o artigo da última edição da mesma revista de 12 de outubro, dia da Padroeira do Brasil, no qual são elencadas sete razões para esta diminuição. O artigo “Os 7 pecados da Igreja católica” pode lido na íntegra no seguinte endereço eletrônico: http://www.istoe.com.br/reportagens/.

A referida revista tem por tradição apresentar discussões positivas e equilibradas sobre temas controversos de interesse nacional. O artigo citado acima não descura esta qualidade editorial, embora a data da sua publicação seja notadamente provocativa. Quanto à chamada diminuição da população católica no Brasil, a referência para crítica é de aproximadamente cento e quarenta anos desde o ápice de maioria absoluta em 1872, para uma marca de 70% atuais.

A desonestidade da crítica está justamente nas referências de mundo e ausência de contextualização histórica para os valores admitidos como verdadeiros. Todos somos herdeiros de um mundo completamente transformado pelo século XX. Foram duas grandes guerras, inúmeras revoluções científicas, o advento da técnica e da informação, as transformações sócio-políticas brasileiras das duas últimas décadas, a transformação de um cenário de miséria extrema para um panorama de pobreza remediada, com melhorias na renda da população e no poder de compra. Como tudo isto interfere no fenômeno das migrações religiosas?

Simples, e terrível ao mesmo tempo. Tudo hoje se muda em comércio. Até a religião. As pessoas tem buscado Deus, a seu modo para preenchimento das suas exigências interiores. É comércio da religião subjetiva, definida aos moldes das expetativas do mercado consumidor da fé. A fé do final do século XIX era imatura, suas expressões não passavam muitas vezes de manifestações piedosas populares, facilmente sincretadas de universos religiosos diversos, nem sempre católicos. O areópago da fé moderno é semelhante a um supermercado onde todos buscam respostas para suas necessidades imediatas. Não apenas os católicos. Isto se aplica às manifestações evangélicas tradicionais, como às expressões espíritas e mágicas. Todos estão em busca de resultados.

Tristemente a reportagem da Revista critica a atitude pastoral católica de cuidar do seu rebanho, dizendo que isto é uma maneira de empurrar sobre o nossa religiosidade um modelo europeu falido de religião. Quem não é capaz de cuidar do seu próprio lar seria capaz de evangelizar o dos demais? Esta tem sido a atitude da Igreja Católica no Brasil: cuidar de seu povo, re-educar para o discipulado e para o seguimento de Jesus Cristo. A Revista também fala da fuga das mulheres do ambiente católico, o que se verifica como uma falácia de proporções imensas, pois nossas comunidades continuam sendo maciçamente formada pela participação feminina. Quanto à ausência de lideranças carismáticas arrebatadoras, elas estão em falta no mundo todo. O mundo atual está carente de pessoas capazes de “seduzir” as massas em busca de ideais fecundos e positivos. Antes, temos exemplos demasiado negativos de lideranças provocadores do naufrágio da fé e da negação de Deus – incapazes de resolver suas crises de fé, tornam-se disseminadores da solução de um mundo sem Deus.

É evidente a intenção crítica da Revista, no dia de Nossa Senhora Aparecida no Brasil, de provocar a opinião pública para uma rebelião contra a imposição de um feriado religioso católico, para uma nação na qual decresce seu número de adeptos. Infelizmente, a ignorância histórica e o desrespeito ético àquilo que se tem chamado de país laico, tem conduzido o Brasil a uma nação atéia. E pior, a mídia brasileira pode não perceber, mas está conduzindo a opinião pública para a negação de Deus e da fé, num país que deve sua gênese e desenvolvido à cooperação religiosa.

Deus nos proteja, não da laicidade de um país que respeita os credos múltiplos presentes em seu solo, mas de um governo pseudodemocrático que prega uma nação atéia negadora das suas raízes religiosas e da sua história de fé, e que desrespeita hoje, 140 anos depois, 70% da sua população.

Pe. Rodolfo Gasparini Morbiolo
http://criticaconstrutivadavida.blogspot.com/
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Avenida Ipanema, 1085 – Vila Angélica – Sorocaba/SP
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Um comentário:

  1. Exelente máteria padre!
    Sempre me deparo com isso na faculdade,com uma professora d sociologia,q d todos os seus assuntos,ela tem q pisar na igreja catolica,essa semana mesmo ela estava falando sobre essa perca d fiéis,e q o Papa, só realiza essa jornada Mundial da Juventude,por q eles são a garantia da igreja,da quantidade d fiés,e d forma ironica disse q em 2013 essa jornada será aqui,isso se o Papa ainda estiver vivo!Mais como o senhor disse isso é "ausência de contextualização histórica para os valores admitidos como verdadeiros"

    Com essa matéria o senhor já me ajudou mto.Como é dificil ser catolica nos dias d hoje,MAS DEUS SEMPRE NOS FORTALECE E NOS GUIA,ATRAVÉS D PESSOAS COMO O SENHOR,QUANDO NÃO SABEMOS O Q FAZER, E O Q FALAR,DIANTE DE SITUAÇÕES ASSIM.
    Uma das coisas q o senhor falou e já vou aplicar mostrando para essa professora filha d uma Mãe(que Nossa Sra tome d conta)é q "Esta tem sido a atitude da Igreja Católica no Brasil: cuidar de seu povo, re-educar para o discipulado e para o seguimento de Jesus Cristo.

    OBRIGADA PADRE!QUE DEUS SEMPRE LHE ABENÇOE! ...ESTAMOS JUNTOS NESSA!!QUE DEUS NOS REVISTA SEMPRE D CORAGEM E OUSADIA PARA PROCLAMAR E DENUNCIAR!
    Uhhhh é sentinela \0/

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