Reflexão da Liturgia - Domingo

Tempo de Criação

GOTAS DA PALAVRA


Gotas da Palavra

(publicado em: https://sites.google.com/site/gotasdapalavra).


14 de novembro de 2021

- 33º Domingo do Tempo Comum

 

1ª Leitura - Dn 12,1-3

Salmo - Sl 15,5.8.9-10.11 (R.1a)

2ª Leitura - Hb 10,11-14.18

Evangelho - Mc 13,24-32

 

...os que tiverem sido sábios, brilharão... Dn 12,3

...não haveis de me deixar entregue à morte... Sl 15,10a

...levou à perfeição definitiva os que ele santifica... Hb 10,14

(O Filho do Homem) reunirá os eleitos de Deus... Mc 13,27b

 

A consumação das esperanças cristãs está no encontro com Jesus Cristo. Pela fé, este encontro já acontece no hoje da história da comunidade cristã reunida em Seu Nome, especialmente quando celebramos a Eucaristia. Recebemos, em esperança viva, Aquele que um dia voltará para transformar todas coisas em sua glória. O final do ano litúrgico que se aproxima convida a assembleia cristã a recordar sua vocação mais profunda e radical: deixar-se transformar pela manifestação da glória de Deus na história como sinais vivos da obra que Deus mesmo concluirá quando restaurar um novo céu e uma nova terra para seus filhos e filhas, que foram purificados pelo sacrifício redentor de Cristo. As leituras da Missa deste penúltimo Domingo do Tempo Comum nos introduzem neste mistério.

 

A primeira leitura fala do julgamento da humanidade e da recompensa daqueles que despertarão para a vida eterna: eles brilharão como as estrelas no firmamento do Céu, pois foram sábios e ensinaram este excelente caminho aos outros. O Salmista canta a proteção de Deus que ele experimenta; proteção que lhe garante a vida para além da morte. Na segunda leitura, a Carta aos Hebreus ressalta a grandeza da obra realizada por Jesus Cristo: deu o perdão à humanidade e ainda carregou ao Céu, para junto de Deus Pai, em seu Corpo, esta nova humanidade redimida e transformada pela ressurreição. O Céu, casa de Deus, se torna também lar da humanidade santificada. Finalmente no Evangelho, Jesus ensina seus discípulos sobre aquele Dia em que os eleitos de Deus serão reunidos todos junto de Deus Pai no lugar que Ele mesmo conquistou para aqueles a quem concedeu o perdão e a reconciliação. De fato, os eleitos de Deus são justamente aqueles que souberam acolher Seu Evangelho, e não se recusaram a trazer Jesus para dentro de suas casas e de suas famílias. Em recompensa, serão reunidos na Casa do Pai, sentados à mesa com o Filho Jesus Cristo, onde serão servidos pelo dom de sua Caridade Eterna.

 

Uma imagem muito simples brota do coração do Evangelho: os ramos verdes da figueira a brotar e a proximidade do verão. Certamente, uma grande preocupação humana, a partir do ensinamento acima corresponde à data exata deste acontecimento. No mistério do Reino de Cristo é necessário estar preparado sempre e a todo momento, pois o Dia será inesperado, no tempo definido pela sabedoria divina. Não deve haver no comportamento cristão oposição e ambiguidade alguma que comprometa o dom da salvação. Se o dom de Cristo, seu perdão e santificação à humanidade foram plenos, não resta ao homem e à mulher outra vida mais digna que uma vida no seguimento do Senhor, como seus sábios discípulos e como anunciadores destas maravilhas ao próximo. Neste caminho de salvação deve consumir a vida cada cristão, estando sempre preparados.

 

A figueira, na Bíblia, corresponde ao povo de Israel, herdeiro das promessas de Deus. O primeiro ramo a brotar em verdura e vicejância é o próprio Cristo, do tronco de Jessé, da descendência de Davi. No seu seguimento, virão outros brotos, alguns do próprio povo judeu, outros de todos os povos sobre a face da terra. Todos a partir de Cristo são sinais de que o Sol da Justiça governa com sua luz o firmamento inteiro. E o tempo da noite está para terminar definitivamente.

 

Não poderíamos encerrar esta reflexão sem considerar brevemente a imagem apocalíptica da Mulher vestida de Sol, com a Lua sob os pés. Imagem da Igreja de Cristo. Imagem daquela que é modelo da Igreja cujas esperanças foram definitivamente consumadas, isto é, a Virgem Maria. Ela brilha no firmamento com a luz de Cristo, como todos os santos e santas haverão de brilhar, enquanto a noite do pecado e da morte jaz sob seus pés incapaz de causar dano à vida dos filhos e filhas de Deus.

 

Vem, Senhor Jesus! Santo Domingo.

 

Padre Rodolfo Gasparini Morbiolo

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