GOTAS DA PALAVRA
1º Domingo da Quaresma
O sacerdote receberá de tuas mãos a cesta e a colocará diante do altar do Senhor teu Deus - Dt 26,4-10.
Ao invocar-me hei de ouvi-lo e atendê-lo, e a seu lado eu estarei em suas dores - Sl 90.
...todo aquele que invocar o Nome do Senhor será salvo - Rm 10,8-13.
...no deserto, [Jesus] era guiado pelo Espírito. Ali foi tentado pelo diabo... - Lc 4,1-13.
Caríssimos Irmãos e Irmãs,
Por duas vezes, no texto do Evangelho de São Lucas, o diabo tenta Jesus dizendo-lhe: "Se és Filho de Deus...". Jesus é o Filho de Deus e não o precisa provar para o diabo. Mas ao iniciarmos o tempo quaresmal em nossa vida de fé, esta tentação a Jesus nos faz refletir.
Ser Filho de Deus não faz de Jesus um super-homem capaz de feitos espantosos. Ser Filho de Deus significa que o esteio, a confiança, o alicerce de Jesus é a vontade do Pai a quem está ligado pela graça do Espírito Santo. Esta confiança gera uma livre dependência da vontade do Altíssimo. Como se manifestara submisso aos seus pais terrenos, Santa Maria e São José, podemos falar de uma verdadeira submissão de Jesus Cristo ao Pai Celestial, uma submissão no Amor, pois sua missão provém do sonho soberano de Deus de reunir de todos os povos e nações um Reino de sacerdotes e uma nação santa.
Ser Filho de Deus não faz de Jesus menos homem. Pelo contrário, Jesus ao jejuar sente fome. Sua humanidade é vibrante. Ele assume nossa fome e sede, espirituais e materiais. Sua humanidade, provinda da nossa humanidade, da humanidade israelita de Nossa Senhora, é real e inseparavelmente unida a sua divindade. De modo que ser Deus não violenta sua humanidade, e ser Homem não diminui sua divindade.
Assim, Jesus diante do diabo é verdadeiro Deus, e não precisa prová-Lo, e verdadeiro Homem, e também não necessita prová-lo. É assim, o Sumo-Sacerdote que nos foi concedido pelo Pai para receber e assumir nossas oferendas e sacrifícios, e apresentá-las como suas ao Deus Soberano. No Antigo Testamento, esta ação de ofertório era realizada por aqueles que foram constituídos sacerdotes da Antiga Aliança. É válido, contudo, recordar que mesmo sendo autorizados por Deus para oferecer dádivas e sacrifícios os sacerdotes da Antiga Aliança eram imperfeitos, pois eram homens impuros de lábios impuros, incapazes de agradar a Deus. Jesus, Deus e Homem verdadeiro, é o sacerdote perfeito da Nova Aliança. E seu sacerdócio abre para a humanidade redimida um novo tempo. Tempo em que cada pessoa humana colocada sob o sinal e o selo do Espírito Santo pode agradar a Deus por suas obras, mesmo humanamente insignificantes, pois quem as apresenta ao Pai é Seu próprio Filho. Tempo onde o ser humano pode invocar o Nome de Deus e ser atendido em suas dores e sofrimentos, pois o Pai de Jesus é um Deus protetor e salvador.
Amparados pela segurança de termos o Filho de Deus no meio de nós, presente na Eucaristia, no próximo e na comunidade reunida em seu Nome, avançamos confiantes para a celebração da Páscoa. Nossa razão é simples: temos Deus como defensor e nada, nem o diabo, pode hoje nos separar do seu Amor e Misericórdia. Nossa voz e coração ecoam nos lábios e no peito de Jesus. Santo Domingo. Santa Quaresma.
Padre Rodolfo Gasparini Morbiolo
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