GOTAS DA PALAVRA
Gotas da Palavra
(publicado em: https://sites.google.com/site/gotasdapalavra).
19 de setembro de 2021
- 25º Domingo do Tempo Comum.
1ª Leitura - Sb 2,12.17-20
Salmo - Sl 53,3-4.5.6.8 (R. 6b)
2ª Leitura - Tg 3,16-4,3
Evangelho - Mc 9,30-37
Se, de fato, o justo é 'filho de Deus',
Deus o defenderá e o livrará das mãos dos seus inimigos. Sb 2,18.
Quem me protege e me ampara é meu Deus;
é o Senhor quem sustenta minha vida! Sl 53,6.
O fruto da justiça é semeado na paz,
para aqueles que promovem a paz. Tg 3,18.
O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens, e eles o matarão.
Mas, três dias após sua morte, ele ressuscitará. Mc 9,31.
O mistério da Paixão de Cristo, e sua morte de Cruz, lança luzes sobre a humanidade. Por isso, convém a todo bom cristão dedicar tempo à contemplação dos sofrimentos do Salvador. A liturgia deste Domingo faz um caminho de reflexão que nos conduz ao coração de Cristo. Se o que move o coração dos homens são suas paixões e ambições, o que move o coração de Cristo é o plano de Salvação de Deus, e seu amor pelo mais pequenino entre os humanos, simbolizado na criança abraçada por Jesus.
Na primeira leitura, o Livro da Sabedoria expõe os movimentos do coração do ímpio. Seus interesses são egoístas e invejosos; ele deseja humilhar o justo para ver se é verdade que é amado por Deus, e que sua justiça Lhe agrada. Ela se liga à segunda leitura, onde São Tiago reflete que não há sabedoria na inveja e nas rivalidades, pois a verdadeira sabedoria tem como fruto a paz. O coração humano é assim, e os discípulos escolhidos por Jesus não são em nada diferentes; conta-nos o Evangelho, que também disputavam entre si qual deles era o maior, justamente no momento em que Jesus os está ensinando sobre o serviço que agrada a Deus; o serviço que Ele mesmo realizará por sua Paixão, Morte e Ressurreição. E que precisa ser aprendido pelos seus discípulos. Esta lição é tão importante que Jesus, enquanto passa pela Galileia, não deseja que ninguém o saiba, para poder ensinar aos seus discípulos.
A criança é sinal do menor a ser servido por aqueles que desejam ser os maiores. Mas para servir uma criança é necessário desvestir o coração da malícia da retribuição. O caminho da Paixão de Jesus é um Caminho de gratuidade. Gratuidade que falta ao coração humano. É caminho de despojamento de si e de verdadeira entrega. É o holocausto da própria vida que agrada o coração de Deus.
É possível que nos assuste ver como o coração dos discípulos estava ainda longe da sabedoria da Cruz. De verdade, somente pela graça do derramamento do Espírito Santo, serão transformados para viverem a entrega de Cristo no serviço aos irmãos. Também nos assusta quando vemos as paixões e ambições de nossos corações, e o quanto ainda estamos despreparados para servir como Cristo serviu. Mesmo assustados diante da imagem terrível de nossa natureza ferida pelo mal, somos exortados a não desviar os olhos, quer de Jesus na Cruz, quer da contemplação de nossas misérias. É contemplando o que o mal fez em nós, e por causa de nós, em Cristo, que surge em nós por impulso do Espírito Santo o santo propósito de não repetir de novo o que nos destrói e que também esmagou em sofrimento o Salvador.
Olhamos para a criança que Jesus abraça no Evangelho com verdadeira esperança da vida que tem a oportunidade de começar bem cuidada no amor, que acabará por amadurecer por um caminho diferente daquele dos ímpios que se alimentam de inveja e da guerra. É um caminho novo de humanidade que os discípulos de Jesus são convidados a abraçar para um mundo melhor. A criança não apenas uma criança, mas o sinal de uma nova humanidade que renasce no amor de Cristo e da Igreja para uma nova vida de filhos e filhas de Deus; que depois de receberem muito amor, serão capazes de amar mais e melhor.
Padre Rodolfo Gasparini Morbiolo
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