Reflexão da Liturgia - Domingo

Tempo de Criação

GOTAS DA PALAVRA

Gotas da Palavra

(publicado em: https://sites.google.com/site/gotasdapalavra)

30 de Agosto de 2020


Todas as vezes que falo... clamando contra a maldade... a palavra do Senhor tornou-se para mim fonte de vergonha e de chacota o dia inteiro. - Jeremias 20,8.

Para mim fostes sempre um socorro; de vossas asas à sombra eu exulto! - Salmo 62,8.

...eu vos exorto... a vos oferecerdes em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus: este é o vosso culto espiritual. - Romanos 12,1.

...que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua vida? - São Mateus 16,26.

 

O verdadeiro Culto Espiritual

 

Embora seja evidente por si mesmo que no sacrifício consumado na Cruz, Jesus Cristo tenha realizado uma vez por todas o único gesto capaz de remir uma multidão imensa dos pecados - por que nos amando, amou-nos até o fim -, sempre é oportuno ressaltar que o modo como completamos a obra salvífica de Cristo na Igreja, não é outro senão a modo de um sacrifício espiritual, um culto em espírito e verdade porque realizado no Espírito de Cristo, na Caridade que o impeliu e que agora deve impelir-nos em direção aos irmãos.

 

Caminhando nesta direção, recordamos que o sacrifício de Cristo foi cruento, isto é, com derramamento de sangue, e de outro modo, o nosso sacrifício o é por consagração e dedicação da vida a Deus e às causas de Deus (isto é, aqueles que ele deseja que se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade!).

 

Na Cruz de Cristo estão abolidos todos os sacrifícios cruentos, uma vez que Ele se fez a única vítima capaz de apagar os pecados. Seu sangue, puro e pacífico, não é como o de touros e bodes, mas infinitamente superior, pois carrega a generosa condescendência de Deus que se humilhou até morte e morte de Cruz para resgatar os que estavam sob o juízo da condenação; o justo pelos injustos. Não há, pois, necessidade de outros sacrifícios cruentos, pois o de Cristo os declara insignificantes. No altar, na Missa, somos mergulhados na realização do único e mesmo sacrifício do Calvário, pelo qual somos definitivamente salvos para a vida eterna.

 

A humanidade remida e livre pode fazer a escolha de seguir com Cristo, ao seu encalço, o caminho do Reino dos Céus. Um caminho feito inclusive de contrariedades, como foi o de Cristo.

 

Aqui tem lugar a liturgia deste Domingo Comum. O profeta Jeremias declara que ao proclamar a palavra da qual foi feito portador e ministro da parte de Deus, experimentou a zombaria dos pobres pecadores. E a experiência da Palavra que poderia ser orgulhosa, se torna uma experiência de humildade perseverante na humilhação.

 

O profeta, como canta o Salmista, tem apenas Deus como protetor e apoio, e se sustenta em seu ministério porque se agarra em Deus. São Paulo compreende na segunda leitura que este caminho de humildade perseverante na humilhação experimentado por aquele que porta a Palavra da Salvação, o Evangelho de Cristo, é um sacrifício espiritual - que santifica por dentro do coração, justamente para que o homem e a mulher redimidos por Cristo possam cada dia mais se manterem distantes do mal dos males que é o orgulho, abraçando o caminho do Salvador que ofereceu a si mesmo como dom de amor gratuito.

 

O Evangelho dá-nos uma pancada no estômago, semelhante àquela que Pedro levou: o discípulo, no máximo, deve ser semelhante ao Mestre, e nunca um obstáculo para seu Senhor. Quem atravessa e se coloca no meio do caminho entre Deus e a realização de seus desígnios é o Diabo, e aqueles que o imitam, são discípulos do seu orgulho, e não discípulos de Jesus.

 

Neste Evangelho, Jesus catequiza sobre a existência do Diabo que habita dentro do coração humano pelo enraizamento do orgulho. É necessário vencer o mal dentro de nós, para depois ter autoridade contra ele fora de nós. E para destronar Satanás do altar do orgulho plantado no coração humano pelo pecado original, faz-se necessário oferecer a própria vida em sacrifício, num caminho contínuo de desapego e doação de si.

 

Este é o caminho da vida inteira do cristão e a cruz de cada dia, que deve ser abraçada como escolha livre de amor, em união com o divino Salvador, para que assim, no Corpo de Cristo que é a Igreja, sejamos com Ele um sacrifício de agradável odor, constituído no altar do coração arrependido e humilhado, que depende unicamente de Deus para tudo!

 

Desejo a todos um Santo Domingo.

 

Padre Rodolfo Gasparini Morbiolo.

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