Reflexão da Liturgia - Domingo

Tempo de Criação

GOTAS DA PALAVRA



Gotas da Palavra

(publicado em: https://sites.google.com/site/gotasdapalavra).


01 de maio de 2022

3º Domingo da Páscoa

 

...enchestes a cidade de Jerusalém com a vossa doutrina. At 5,27b-32.40b-41

Senhor meu Deus, eternamente hei de louvar-vos! Salmo 29

Eram milhares de milhares, milhões de milhões, e proclamavam em alta voz... Ap 5,11-14

Jesus disse-lhes: 'Vinde comer'. Jo 21,1-19

 

Prezados Irmãos e Irmãs,

 

Celebramos hoje o terceiro Domingo da Páscoa. Jesus está vivo! E sua presença anima e fortalece a comunidade cristã, dando-lhe forças para ser Sua testemunha. Na primeira leitura, São Pedro e os outros apóstolos são levados diante do Sinédrio judaico, pois estavam anunciando em Nome de Jesus, que para eles estava morto. Os apóstolos, porém, sabiam que Jesus estava vivo; que tinha ressuscitado e enviado sobre eles o Espírito Santo para que pudessem pregar em seu Nome até os confins do mundo. Eles sabem-se impulsionados pela obediência a Deus, e entendem sua vocação no mesmo sentido da vocação de Cristo, que veio para alimentar a humanidade. Havia uma multidão de irmãos a alimentar com o pão do testemunho, e os apóstolos não podiam furtar-se a esta missão, sem renunciar a sua própria identidade.

 

Na segunda leitura, São João vê em revelação quantas inúmeras são as testemunhas da obra de Jesus Cristo, seja acima nos Céus, seja debaixo na Terra. Assim, o apóstolo não está sozinho, embora por um tempo esteja exilado, distante dos outros irmãos da fé. Os ensinamentos que deixará por escrito vão caminhar pelas igrejas fundadas em Cristo e hão de edificar, alimentando, a fé daqueles que seguem Jesus. O exílio de São João, onde vê o Apocalipse, pela graça de Cristo, não é fim de um caminho, mas apenas uma etapa derradeira da comunicação da vitória de Cristo, que no tempo de Deus se espalhará por toda a Terra, a fim de tornar novas todas as coisas para o encontro com o Senhor que voltará para buscar os seus.

 

Não há louvor mais eminente que o testemunho cristão. Testemunho que alimenta a fé dos irmãos enquanto peregrinam neste mundo ao encontro de sua vocação. O salmista canta as obras de Deus no meio do seu povo; canta o livramento da morte; canta o enxugamento das lágrimas; canta a proteção e a segurança. Os apóstolos não vão apenas cantar, mas contar, e assim vão ensinar às nações da Terra a adorar em espírito e verdade o Senhor do Universo, Jesus Cristo, Filho de Deus feito Homem, o Salvador.

 

No Evangelho, Jesus ressuscitado espera seus discípulos com pão e peixes prontos para comer. Para além da comida material, o que Jesus tem para dar e alimentar é sua Palavra, seu ensinamento. A Palavra que sai da boca de Jesus, seu ensinamento, indica novamente o lugar dos peixes, orientando onde pescar. É palavra que encontra no coração dos desolados discípulos abrigo, acolhida e obediência. Não é possível rejeitar esta Palavra, pois está carregada de amor, da fome de Deus, da fome de Jesus. É Palavra que também encontra no coração dos discípulos outra fome, também fome de Deus, também fome de Jesus, e desejo de reencontrar aquele que lhes ardeu o coração ao longo de três anos de convivência; de reencontrar Aquele que eles amavam.

 

Na vida cristã, testemunha mais amor, aquele e aquela que mais foi perdoado, e que permanece fiel. Amor e fidelidade estão profundamente unidos e são inseparáveis. São Pedro testemunhará seu amor a Jesus, mais que os outros se necessário, na medida em que sua fidelidade àqueles que lhe foram confiados comprometer toda a sua vida. São as ovelhas e cordeiros que vão consumir seus novos dias e suas novas noites, toda sua vida e até a sua morte, como consumiram tudo de Cristo. 'E nisso recordarão que sois meus discípulos!' - ensinou Jesus.

 

De fato, a Eucaristia não é apenas uma ação litúrgica isolada da vida, mas se torna palpável quando transforma aqueles que são alimentados, nAquele que os alimenta. Vivemos, como Igreja, a pouco, as celebrações mais importantes do calendário litúrgico, e que dão tom e ritmo para tudo o mais que fazemos como Igreja de Cristo, na comunidade cristã e no mundo. Contudo, se o testemunho que celebramos não nos torna sinais evidentes do amor de Cristo, falsificamos a fidelidade, reduzindo-a a um mero formalismo. E esta não é  vontade de Deus.

 

Jesus ressuscitou e nos enviou o Espírito Santo, para ressuscitarmos nEle e com Ele, primeiro neste mundo como suas testemunhas, para alimentar a fé dos irmãos, depois no Céu para a glória eterna e a paz sem fim. Queira Deus, que voltando o Senhor, nos encontre todos consumidos no amor e na fidelidade, e servindo uns aos outros a Ceia da Comunhão Eterna, os pães e os peixes do milagre de Jesus Cristo, o perdão que liberta e a Palavra que salva.

 

Santo Domingo.

 

Padre Rodolfo Gasparini Morbiolo

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