Reflexão da Liturgia - Domingo

Tempo de Criação

GOTAS DA PALAVRA


Gotas da Palavra

(publicado em: https://sites.google.com/site/gotasdapalavra).


05 de fevereiro de 2023

5º Domingo do Tempo Comum - Ano A (São Mateus)

 

Leituras:

Is 58,7-10

Sl 111(112),4-5.6-7.8a.9 (R. 4a.3b)

1Cor 2,1-5

Mt 5,13-16

 

Assim diz o Senhor: Reparte o pão com o faminto... Is 58,7

Ele reparte com os pobres os seus bens, permanece para sempre o bem que fez... Sl 111(112)

...minha palavra e a minha pregação não tinham nada dos discursos persuasivos da sabedoria, mas eram uma demonstração do poder do Espírito... 1Cor 2,4

Vós sois a luz do mundo. Mt 5,14

 

 

Não sabeis que obra Deus está a realizar nos pobres!

 

Prezados irmãos e irmãs,

 

Iniciamos nossa reflexão com a exortação de Isaías: "reparte o pão com o faminto". De fato, nos ensina o profeta, nada temos a perder, antes temos a ganhar, pois a bondade para com o próximo, nos garante a benevolência de Deus e suas recompensas: saúde, paz, perdão, a escuta da oração. Enfim, a luz brilhará! Fica-nos evidente que, por luz, o profeta Isaías fala concretamente das boas obras feitas em favor dos pobres. Saltamos ao Evangelho e vemos Jesus exortando seus discípulos a fazerem sua luz brilhar, e a manifestarem obras de salvação como sinal de testemunho de seguimento de Cristo e louvor a Deus. Concretamente, São Paulo ensina o Evangelho de Cristo pela manifestação do poder de Deus no meio dos seus escolhidos, e não pela oratória vazia que recordaria os grandes mestres de seu tempo e da tradição farisaica.

 

Alguns passos neste caminho de reflexão:

 

1. A pobreza material ao longo da vida do povo de Israel é, por vezes, caminho de correção divina, para forjar um coração humilde, quebrando-lhe o orgulho e ajudando-o a olhar para Deus. Um caminho de perda material, que faz chegar ao coração. Assim aconteceu ao longo da trajetória do deserto rumo à terra prometida e depois no exílio. Por este olhar, as dificuldades enfrentadas pelo povo ao longo do Antigo Testamento não eram apenas resultado da ação dos homens, mas estavam inseridas no plano de salvação de Deus, que desejava moldar seu povo santo, como faz o oleiro com o barro da terra.

 

2. Ao permitir que seu povo mergulhasse na pobreza material, sucumbindo, por vezes, aos impérios humanos, temporais e passageiros, de certo modo Deus estava escrevendo na história de seu povo, que geraria o Salvador, o caminho de empobrecimento escolhido por amor pelo Filho de Deus, ao fazer-se homem, e ao estabelecer sua habitação no meio da humanidade. Quem dera Israel pudesse sabê-lo: que o Messias tinha se identificado com a humilhação de seu povo; pobre no meio dos pobres.

 

3. Ao fazer o bem ao pobre, ao humilhado, que necessita de socorro, cada membro do povo de Deus se torna próximo daquele que sofre e entra na história de salvação que Deus nos proporciona, através daquela realidade material objetiva. Assim, o pobre, seu próximo ou seus próximos, toda a Igreja de Cristo, e quem sabe toda a humanidade, todos podem trazer à luz os caminhos de Deus na prática do bem. A solidariedade para com o pobre torna-se para todos, participação na obra salvadora de Cristo, que se fez pobre para nos enriquecer (não materialmente, mas para a vida eterna, onde reside a recompensa dos bem-aventurados do Evangelho). De adversário divino, o ser humano, vai se tornando em cada necessitado socorrido, sinal da benevolência divina; sinal de Sua mão que socorre; e encontra no pobre, em recompensa, a mão de Deus que o salva.

 

O catecismo da Igreja nos convida sempre a escolhermos participar ativamente da história de salvação da qual somos herdeiros em Cristo. Somos herdeiros, porque fomos escolhidos para receber a vida eterna, mas precisamos escolher recebê-la pelos caminhos de Deus. Ninguém pode separar a humilhação de Israel e de toda a humanidade, do Corpo de Cristo. Se buscamos a Jesus, na liturgia e na vida, haveremos de nos confrontar com a pobreza da humanidade e com a pobreza de Deus, que continua a pedir-nos: "reparte o pão com faminto". Faminto que é o ser humano. Faminto que é Deus mesmo. Nesta solidariedade brilha a luz da Verdade, e a razão cristã para socorrer os pobres.

 

Santo Domingo.

 

Padre Rodolfo Gasparini Morbiolo

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