terça-feira, 18 de junho de 2013

Um olhar espiritual sobre o momento destas manifestações no Brasil


Estamos às vésperas da nossa JMJ, e nossa juventude brasileira já sente a necessidade de manifestar suas opiniões. Ainda a expressão dessa angústia nacional é "jovem", não é madura, mas é consistente. O que isto significa: que precisamos dar espaço para que falem aqueles que estão engasgados de vontade de expressar-se.


Logicamente, como bons cristãos, abominamos a violência - e conhecemos seu autor e dominador; não é Deus e seu Espírito que agem na violência, quer dos desavisados e revoltados que de algum modo atrapalham uma manifestação legítima, como também do governo que com arrogância perpetua uma obra de corrupção em vista de seus próprios interesses.

A JMJ precisa ser um espaço de manifestação da juventude brasileira cristã e católica. Isto não é anti-cristão nem contra a doutrina social da Igreja. Os cristãos católicos tem o dever de onde estiverem: na política, na economia, nas universidades e escolas de bairro, em casa em seus deveres habituais como no trabalho ganhando com o suor do seu rosto o pão de cada dia, tem o dever sobrenatural de manifestar a verdade de Cristo, seu amor pungente, sua caridade excelsa, inclusive denunciando um reino de mentiras e exploração como o que vemos estabelecido em nosso país.

Fico triste de ver muitos "adultos", "maduros", em silêncio. Pior: criticando aqueles que hoje se manifestam. E o fazem muitas vezes por comodismo. Ontem no Roda Viva ouvi uma pergunta assim de um jornalista: "mas vocês bloquearam a cidade de São Paulo!". A resposta inteligente do jovem manifestante: "nós paralisamos duas vias com pessoas, nada diferente do que acontece todos os dias com carros na cidade de São Paulo; mesmo com o número máximo de manifestantes que ajuntamos não conseguimos atingir o máximo de congestionamento de carros que São Paulo já experimenta cada dia".

Também a mídia televisiva tem enfatizado as manifestações violentas como se fossem totais e gerais. Ontem os MANIFESTANTES se avolumaram na frente do Palácio dos Bandeirantes, pois lá estava o Sr. Governador de SP. Objetivo: queriam ser ouvidos! Coisa que até agora o notório político tem se furtado no dever de ouvir. Pelo contrário, agindo arbitrariamente mostrou perante as legítimas reivindicações uma atitude grosseira, sem negociações, à princípio.

Não podemos ser INOCENTES ÚTEIS nas mãos de interesses escusos daqueles que usam da violência, mas não podemos sê-lo também nas mãos de uma mídia desonesta e de governantes que não sabem conversar com seus eleitores! A questão do "passe livre" precisa ser discutida, não imposta; como também os aumentos indiscriminados não podem ser impostos, precisam de discussão honesta e clara.

A JMJ precisa ajudar a politizar nossa juventude em vista do bem comum e da vontade de Deus: um mundo mais humano para todos e mais feliz, onde escutar é acolher e amar.



O que diz o Catecismo da Igreja (§2242):
O cidadão é obrigado em consciência a não seguir as prescrições das autoridades civis quando estes preceitos são contrários às exigências da ordem moral, aos direitos fundamentais das pessoas (...). A recusa de obediência às autoridades civis, quando suas exigências são contrárias às da reta consciência, funda-se na distinção entre o serviço a Deus e o serviço à comunidade política, "Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus" (Mt 22,21). E preciso obedecer antes a Deus que aos homens" (At 5,29). Se a autoridade pública, exorbitando de sua competência, oprimir os cidadãos, estes não recusem o que é objetivamente exigido pelo bem comum (...). A moral denuncia o flagelo dos estados totalitários que falsificam sistematicamente a verdade, exercem mediante os meios de comunicação uma dominação política da opinião, "manipulam" os acusados e as testemunhas de processos públicos e imaginam assegurar sua tirania sufocando e reprimindo tudo o que consideram "delitos de opinião". Faz parte da missão da Igreja "emitir juízo moral também sobre as realidades que dizem respeito à ordem política, quando o exijam os direitos fundamentais da pessoa.

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