segunda-feira, 30 de abril de 2012

Qüinquagésima Assembléia Geral da CNBB

- por Dom Eduardo Benes de Sales Rodrigues,
Arcebispo de Sorocaba

A qüinquagésima assembléia geral da CNBB, realizada dos dias 18 ao dia 26 de abril, teve como tema central “A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja”. Da reflexão sobre o tema resultou a aprovação de um documento centrado na urgência de fazer da Palavra de Deus a alma-fonte da vida e da ação da Igreja com o seguinte título: “Discípulos e Servidores da Palavra de Deus na Missão da Igreja”. Consta de uma introdução e três capítulos: Capítulo I: A PALAVRA de DEUS; Capítulo II: NOSSA RESPOSTA À PALAVRA; Capítulo III: A PALAVRA E OS CAMINHOS DA MISSÃO. A Conclusão termina com uma súplica à intercessão de Nossa Senhora, “ícone perfeito da fé bíblica da escuta e do acolhimento generoso e disponível à vontade do Senhor”. Este documento tem como fonte e motivação a Exortação Apostólica pós-sinodal de Bento XVI “Verbum Domini” e oferece caminhos para se colocar em prática a terceira urgência das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora: “Igreja: lugar de animação bíblica da vida e da pastoral”.


Outras questões foram também objeto de nossa reflexão nesta assembléia e sobre algumas foram emitidas mensagens ou declarações, das quais destaco trechos de duas. Sobre o qüinquagésimo aniversário do Concílio Vat. II:
“A celebração do 50º aniversário do Concílio Ecumênico Vaticano II e a volta aos seus documentos “nos levem ao discernimento sobre o que o Espírito Santo continua a dizer à Igreja e à humanidade nas circunstâncias atuais, como observou o Papa Bento XVI, logo após sua eleição como Sucessor de Pedro: “com o passar dos anos, os textos conciliares não perderam sua atualidade; ao contrário, seus ensinamentos revelam-se particularmente pertinentes em relação às novas situações da Igreja e da atual sociedade globalizada” (Discurso aos cardeais eleitores, 20/04/2005)”.
Sobre a defesa dos territórios e dos direitos dos povos indígenas, dos quilombolas e outros: “Sem a garantia do acesso à terra, elemento base da cultura e da economia dessas populações, elas continuarão a sofrer opressão, marginalização, exclusão e expulsão, promovidas por empresas depredadoras, pelo turismo, a especulação imobiliária, o agronegócio e pelos projetos governamentais, como as grandes barragens, que têm invadido áreas cultivadas, alterando o ciclo da vida dos rios e provocando o despovoamento de suas margens”. Em relação aos povos quilombolas, os bispos denunciam a morosidade no reconhecimento dos territórios.

Foi ainda objeto de profunda reflexão proposta pela Comissão para a Doutrina da fé a Carta Apostólica “Porta Fidei”, instituindo o Ano da Fé onde o Papa Bento XVI insiste na urgência de repropor de forma nova e vigorosa a fé católica, em primeiro lugar aos fieis católicos bem como a toda a humanidade. Nesta carta o papa situa o Ano da Fé no contexto do quinquagésimo aniversário do Concílio Vat. II e do vigésimo do Catecismo da Igreja Católica.
Tivemos ainda momentos de reflexão sobre a decisão do STF a respeito de fetos anencefálicos. Para não me alongar cito duas passagens da reflexão proposta pela Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família: 1. “A decisão do STJ não levou “em consideração o direito do filho a nascer, não reconheceu seu inviolável direitoà vida, garantido pela constituição Federal e pela declaração Universal dos Direitos humanos”; 2. “Os ministros consideraram os anencefálicos como natimortos, como se todos os mero-encefálicos fossem desprovidos de qualquer porção de encéfalo...Considerá-los como mortos cerebrais significa contradizer a evidência empírica e os textos da maioria dos cientistas.”

Ocupamo-nos ainda da jornada Mundial da Juventude a realizar-se em julho do próximo ano no Rio de Janeiro. Os preparativos estão em pleno andamento e a Jornada vai se constituir em evento de grande repercussão em nosso país.
Na impossibilidade de relatar tudo o que aconteceu nessa assembléia, proponho duas conclusões: 1. A Igreja de Sorocaba deve entrar de corpo e alma no caminho indicado palas DGAE, tendo nas orientações propostas no documento sobre o tema Central e na carta “Porta Fidei”sobre o Ano da Fé sua referência e motivação permanente. Nesse sentido é necessário que as Regiões Pastorais, as Paróquias, todas as pastorais e movimentos assumam, em espírito de oração e de reflexão, o caminho que vem sendo proposto pela coordenação de pastoral no sentido de concretizar em nossa Igreja Particular o que o espírito vem dizendo às Igrejas do Brasil; 2. Quanto às questões nascidas da “mudança de época”, sobretudo aquelas que dizem respeito ao cuidado pela vida, e diante dos clamores por justiça das vítimas do descuido pelo Bem Comum, evidencia-se a necessidade de que os fieis leigos, orientados pela Doutrina Social da Igreja, se organizem para serem de fato a presença do evangelho em todos os âmbitos da toda da sociedade. Esta é a dimensão política, em sentido amplo, da prática da virtude teologal da caridade.

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