sábado, 31 de março de 2012

SEMANA SANTA CRISTÃ

Convergência de Buscas
Introdução à Semana Santa


Afirma a fé católica que na Celebração Pascal certa convergência de buscas chegou ao fim. De um lado, a busca de Deus pelo homem: começada nas origens desde a culpa de orgulho e desobediência e perpetuada pelos tempos, por meio da qual a Encarnação se consolida em desígnio de redenção pela fé em Jesus Cristo – Deus busca o homem amando-o e amando-o até o fim, do modo mais retumbante e grandioso (cf. Jo 13,1ss).

De outro lado, também a busca do homem por Deus encontra na Páscoa de Jesus uma resposta digna de ser ouvida, pois como diz o salmista “seu som ressoa e se espalha em toda a terra” (cf. Sl 18,5; Rm 10,18), chegando aos confins do universo a sua voz. Mas Israel quis ouvir a voz do Senhor? E a humanidade, quer ainda ouvir o eco da voz do Senhor?

Estamos no advento do Terceiro Milênio, pois deste novo tempo, vivemos apenas doze parcos anos, tateando os mistérios de Deus com nossas vãs filosofias e teoria entrementes científicas. Seria possível ignorar o conhecimento de DEUS, a revelação do seu amor, que recebemos de presente na celebração pascal? Seria, a humanidade, incapaz, como grande parte do povo da Antiga Aliança, de alcançar seu maior objeto desejo, por manter-se com o coração endurecido?

Que não haja entre nós um coração transviado pela incredulidade (cf. Hb 3,12), mas puro e pobre (cf. Mt 5,3.8), aberto para Deus e para o próximo (cf. Mt 25,1-13.31-46), para mergulharmos juntos nesta convergência de buscas que tem como palco principal o tempo, a história, o mundo e o coração humano, no qual Deus pede licença para entrar servindo-nos, e através da qual também somos convidados a penetrar nos átrios divinos, seu Céu, nossa eternidade com Ele, o Senhor do Universo.

A Semana Santa começa com o espetáculo humano denunciado pela traição do povo da Antiga Aliança, simbolizado nos habitantes de Jerusalém, entusiastas acolhedores do Messias e, ao mesmo tempo, seus mais ardorosos algozes. Tudo isto, num único dia, o Domingo de Ramos da Paixão do Senhor. Este derradeiro Dies Domini, Dia do Senhor, desmembra-se nos ofícios próprios da Semana da Paixão, que tem como coração o Tríduo Pascal. Amparados no testemunho evangélico de João somos imersos nos mistérios do sofrimento, morte e ressurreição do Filho do Homem, Messias e Redentor de Israel e Salvador da humanidade.

Façamos, pois, da Quinta-feira Santa encontro com Jesus Cristo, servo dos servos de Deus, no Altar, no Gólgota e em cada vida humana que lhe adere pela fé. Da Sexta-feira Santa, encontro com Jesus Cristo, servo fiel e prudente, vítima de expiação e de propiciação, “ovelha muda nas mãos do tosquiador” (cf. Is 53,7), e com sua Cruz, patíbulo do qual pende a salvação do mundo. Do Sábado Santo e de sua Vigília, Mãe de todas as Vigílias, o encontro com a expectativa anunciada pela fé da Igreja e pelos testemunhos apostólicos: Ele ressuscitou, está vivo e presente no meio de nós! A morte não pode detê-lo! E o sepulcro... Está vazio!

Procuremos nos resguardar como pede a Santa Igreja na Sexta-feira, quer de nossos afazeres, quer do consumo de carne vermelha, como sinal de penitência e reverência pelo mistério da morte Jesus Cristo, o Verbo feito carne (cf. Jo 1,18).

Transformemos o Domingo da Ressurreição, dia da passagem da morte para a vida, de Cristo e da Igreja, nosso maior hino de louvor ao Deus Três Vezes Santo, Senhor dos Exércitos e Poderoso Para Nos Salvar, Vencedor da Morte, do Diabo e do Pecado. Viva o Senhor Jesus Cristo, Ressuscitado, Rei do Universo! Que sua Páscoa seja feliz encontro com Deus que te busca em teu coração desejo de repousar nele todas as suas esperanças.

Grande Semana Santa e Santa Páscoa!

Pe. Rodolfo G. Morbiolo

Publicado em: https://sites.google.com/site/gotasdapalavra/, em 31/03/2012.

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