domingo, 17 de abril de 2011

Um Olhar sobre a Semana Santa

"EU ESTAVA DE JOELHOS diante do altar e meus olhos elevaram-se na direção da faixa pintada ao redor da Capela parando subitamente sobre a Cruz, rabiscada na argamassa. Fechei os olhos, pois estavam pesados. E, de repente, transportei-me em espírito para um lugar imenso e escuro, como o universo sobre a Terra.
Lá, brilhava no horizonte, como um zênite, a Cruz de Cristo. Sabia que era de Jesus... Seus braços começaram a expandir-se ao infinito.
Abri imediatamente os olhos e acompanhei a expansão dos braços daqueles fachos de luz incandescente que faziam iluminar as cenas da paixão de Nosso Senhor também esculpidas nas paredes: vi luzes sobre o nascimento em Belém e a chegada dos Magos vindos do Oriente, sobre a multiplicação dos pães e a tempestade acalmada, sobre Lázaro e Marta e Maria e a sogra de Pedro, sobre o Calvário e Pilatos e sua esposa vidente... Vi a Mãe encontrando seu Filho e o brilho da Cruz em seus olhos sofridos, penetrei no santuário e vi o véu rasgado e o altar do sacrifício partido ao meio.
Quando olhei de novo para a Cruz, já não havia mais cosmos, mas apenas e tão somente a realidade dos meus irmãos – pobres irmãos com suas vozes desafinadas na tentativa infrutífera de entoar um canto. E me senti solidário a Jesus Cristo. Ele não estava mais sozinho em sua Paixão – eu estava com ele; e nele, unidos, imolados, esperávamos a concretização de nossas esperanças."

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