sexta-feira, 11 de setembro de 2009

A MINHA DESCOBERTA DE DEUS

Pe. Rodolfo Gasparini Morbiolo
.Minha experiência de Deus, desde a infância, aconteceu de muitas maneiras. Minha família sempre foi católica. Devo, portanto, muito ou quase tudo à perseverança na fé dos meus pais, especialmente nos momentos difíceis que vivemos juntos: desemprego, falecimentos de familiares, dificuldades financeiras, etc. Sobrevivemos a tudo isto com a ajuda divina e o apoio dos irmãos. Falo diretamente dos irmãos da Comunidade de Nossa Senhora do Desterro, Paróquia de São José do Cerrado em Sorocaba. Eles nos acompanharam no crescimento espiritual e na vivência da fé.
.Conheci, também, o amor de Deus com Renovação Carismática Católica, tanto em retiros adultos (mesmo sendo eu bastante jovem), como nos encontros promovidos pela Secretaria Marcos Jovem. Foram experiências de oração, aprofundamentos, reavivamentos, encontros para cura e libertação, intercessão, cenáculos, carnavais com Cristo, enfim: onde era possível manter acesa a chama do Espírito lá estávamos; senão eu sozinho, também estavam meus pais e minha irmã. Crescemos assim.
.Muitas vezes ao final de um retiro ou encontro ficava em meu coração um sentimento de “ausência” muito grande. Eu queria mais! Ficar, permanecer, não queria que acabasse ou terminasse. Acredito que aqueles momentos acabaram forjando minha vocação ao sacerdócio. Embora desde criança tivesse tal inclinação, foi necessário um longo processo de discernimentos. Livremente teria escolhido ser professor, e de matemática (podem me chamar de louco, se quiserem!, não tem problema algum). Mas, no momento oportuno, abandonei meus sonhos meramente humanos, para sonhar com Deus, os sonhos dele.
.O caminho para o sacerdócio não foi fácil, nem mesmo rápido. Foram longos oito anos de formação, com dificuldades dentro e foram de casa. Nunca duvidei de ser vocacionado, mas muitas vezes pensei em seguir um caminho mais fácil e acessível. Ser padre implica abandonar muito, e doar-se sempre. Nem sempre temos consciência das direções para as quais a experiência divina nos enviará.
.Estou feliz e sou feliz. Realizo-me no serviço sacerdotal. Vibro a cada dia vendo com Deus age e move o mundo com sua mão poderosa. Ninguém pode fugir ao se poder. Pode fechar-se, mas não fugir. Mesmo aqueles que se dizem ateus, para negar a ação divina são obrigados a dialogar com Deus, esquivando-se da sua presença amorosa que nos abraça a todos - mesmo que inconseqüentes.
.Assim, acredito que Deus continua a falar comigo, no meio dos meus afazeres.
.Uma experiência que trago do caminho que fiz é a de ser buscado pelo Senhor. Em meio ao processo de formação para o sacerdócio, e à aridez daquele tempo, muitas vezes me senti distante da presença divina (não que Deus estivesse distante de mim – hoje eu compreendo isto!). No entanto, pude notar Deus me buscando de modos fantásticos e sobrenaturais, envolvidos nas situações humanas mais previsíveis e absurdas. Como, por exemplo, através da leitura de livros. Sempre fui apaixonado por literatura. O Senhor me buscou quando lia literatura fantástica (e olha que muitos me criticavam por fazê-lo): uma das experiências mais belas que vivi foi lendo O senhor dos anéis, de Tolkien – estava no último ano de filosofia, a caminho da teologia, com inúmeras dúvidas e incertezas. Muitas das páginas do livro foram banhadas nas minhas lágrimas, pois no final de alguns episódios terminava rezando, num encontro íntimo e profundo com aquele que nunca me abandonou em minhas ausências.
.Mais que expressar minhas impressões de Deus quis, aqui, expressar que seus olhos nunca deixaram de encontrar os meus, como estiveram pousados os de Cristo nos de Pedro. Pergunto-me quais são as impressões dele a meu respeito, lembrando daquele Salmo da Escritura que diz “ Senhor o que é o homem, para que tenhas dele tanto cuidado!”. Terei de esperar até a eternidade para satisfazer a minha curiosidade, mas duma coisa tenho certeza: os olhos do “guarda de Israel” nunca piscam, nunca dormem, nem se fecham, ele está atento a nós e às nossas necessidades, mesmo que nós não o percebamos.
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- escrito para o Jornal das Missões da Paróquia de Nossa Senhora Aparecida - Sorocaba/SP

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